
A Inteligência Artificial possui um passivo ambiental significativo devido ao consumo de energia e água de seus data centers, demandando regulamentação mais robusta na Europa e no Brasil. Empresas e contadores devem se preparar para crescentes exigências de transparência, reporte de sustentabilidade e conformidade com novas normas ambientais.
O Impacto Ambiental da Inteligência Artificial
A inteligência artificial, muitas vezes vista como uma tecnologia imaterial, carrega consigo um passivo ambiental considerável. Isso se deve, em grande parte, à infraestrutura necessária para seu funcionamento, como os data centers. Esses centros são responsáveis por consumir grandes quantidades de energia e água, além de gerar resíduos eletrônicos. Um exemplo prático é o treinamento de modelos de IA, como o GPT-3, que pode consumir até 700 mil litros de água. Além disso, a operação de chatbots demanda entre 10 a 50 litros de água por resposta gerada.
A percepção de que a IA é uma tecnologia limpa precisa ser reavaliada. É crucial que tanto empresas quanto contadores entendam os impactos ambientais associados a essa tecnologia para que possam se preparar para as regulamentações que estão por vir. A conscientização sobre o uso de recursos e a gestão de resíduos é essencial para mitigar esses impactos.
Regulamentação Europeia: Transparência e Desafios
Na Europa, a regulamentação sobre o impacto ambiental da IA está avançando. O AI Act é uma das principais legislações que focam na transparência energética dos modelos de IA. A União Europeia também estabeleceu normas como a Diretiva de Eficiência Energética e o Regulamento Delegado UE 2024/1364, que exigem o reporte de indicadores como PUE (Power Usage Effectiveness) e WUE (Water Usage Effectiveness) para data centers com potência de TI igual ou superior a 500 kW.
No entanto, ainda há lacunas, como a falta de licenciamento ambiental prévio direto para data centers. Isso levanta preocupações sobre a influência de grandes empresas de tecnologia na elaboração de cláusulas de confidencialidade, que podem dificultar a transparência total. Para as empresas e contadores, isso significa a necessidade de se manterem atualizados sobre as mudanças regulatórias e se prepararem para auditorias mais rigorosas.
Vantagens e Desafios Regulatórios no Brasil
O Brasil, por sua vez, apresenta uma matriz elétrica predominantemente renovável, o que é uma vantagem significativa em termos de sustentabilidade. A legislação ambiental brasileira, como a Lei 6.938/1981, que estabelece a responsabilidade civil ambiental, e a Política Nacional de Resíduos Sólidos, oferece um arcabouço legal robusto. No entanto, o país enfrenta desafios como a fragmentação regulatória e a falta de regulamentação específica para data centers em muitos estados.
A Lei da Devastação, por exemplo, fragilizou o licenciamento ambiental, aumentando o risco de uma “corrida para o fundo” regulatória. Além disso, a Medida Provisória nº 1.318/2025, que oferecia incentivos fiscais com critérios de sustentabilidade, perdeu eficácia devido à falta de regulamentação. Para contadores e empresas, isso representa tanto riscos quanto oportunidades de liderar o caminho para práticas mais sustentáveis.
Caminhos para a Conformidade e Sustentabilidade
Para se adaptar às novas exigências, é fundamental que empresas de IA e data centers articulem o licenciamento ambiental com condicionantes específicas, como a eficiência energética e o uso de água de reúso. A implementação de práticas de gestão de resíduos e a definição de limites de emissões são passos importantes para garantir a conformidade.
Um exemplo de como isso pode ser aplicado é a sugestão de um PUE máximo de 1,3 e a meta de 100% de energia renovável até 2030. Para os contadores, isso significa a necessidade de gerenciar e auditar novos indicadores de sustentabilidade, garantindo que as empresas estejam alinhadas com as melhores práticas ambientais.
A Importância de Consultar Seu Contador
Diante desse cenário, é essencial que empresários e contadores trabalhem juntos para entender e implementar as novas regulamentações. A conformidade ambiental não é apenas uma obrigação legal, mas também uma oportunidade para melhorar a reputação e a sustentabilidade das empresas.
Converse com seu contador sobre essa oportunidade.