
A desaceleração global e a crescente necessidade de financiamento impactam diretamente o acesso ao crédito para PMEs que desejam importar, exportar e expandir suas operações. Essa realidade exige que empresários e contadores trabalhem juntos para superar os desafios financeiros e regulatórios que limitam o crescimento dessas empresas.
Destravando o Potencial: O Imperativo do Trade Finance e Supply-Chain Finance em Mercados Emergentes
O financiamento ao comércio internacional, conhecido como trade finance e supply-chain finance, ultrapassou sua função operacional para se tornar um pilar estratégico do desenvolvimento econômico global. Além disso, ele impulsiona a integração das nações em desenvolvimento na economia mundial. Contudo, a lacuna crescente no acesso a esses recursos representa um obstáculo significativo, especialmente para empresas em mercados emergentes.
A Ameaça da Lacuna de Financiamento Global
Em 2025, a diferença entre a demanda por financiamento de comércio e a oferta dos bancos — o chamado trade finance gap — alcançou cerca de US$ 2,5 trilhões. Portanto, esse aumento de quase 47% em relação aos US$ 1,7 trilhão de 2020 traduz restrições reais que limitam o potencial de empresas globalmente, com impacto mais severo em mercados emergentes.
O Impacto Direto nas Pequenas e Médias Empresas
As PMEs em economias emergentes enfrentam as maiores dificuldades para obter crédito. Por exemplo, elas têm altas taxas de rejeição em pedidos de financiamento, o que dificulta sua inserção nas cadeias globais de valor. Para muitas, o trade finance representa a única fonte de capital externo para importar insumos, produzir bens para exportação ou manter operações. Consequentemente, a falta desse capital freia o crescimento empresarial e enfraquece a geração de empregos e a transferência de tecnologia nacional.
A Desaceleração Global e a Crescente Necessidade de Financiamento
Embora o comércio global desacelere devido a tensões geopolíticas e políticas nacionalistas, a demanda por instrumentos de financiamento comercial não diminui. Pelo contrário, ela aumenta. A fragmentação das cadeias de suprimento e a busca por novos mercados elevam a importância de mecanismos como garantias, factoring e antecipação de faturas. Assim, cresce a urgência de acesso a soluções financeiras flexíveis e acessíveis.
O Papel Crucial das Instituições de Desenvolvimento Internacional
Instituições internacionais desempenham papel central na busca por soluções. Por exemplo, a Corporação Financeira Internacional (IFC) lançou uma iniciativa de US$ 2 bilhões focada em supply-chain finance para mercados emergentes, com destaque para o México. Além disso, entidades multilaterais como a OMC, o Banco Asiático de Desenvolvimento e o Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento emitiram declarações para fortalecer a infraestrutura jurídica e diversificar produtos financeiros nesses mercados.
Exemplos Concretos de Intervenção e Inclusão
Um programa da IFC, “Banking on Women Who Trade Across Borders”, apoia empresas lideradas por mulheres, que representam apenas 15% das exportadoras globais. No continente africano, bancos de desenvolvimento firmaram acordos, como o financiamento de US$ 100 milhões entre a British International Investment e o Trade & Development Bank, para fortalecer a segurança alimentar e importações essenciais em países com restrições de liquidez.
A Imperativa Agenda Jurídica e Regulatória
A lacuna de financiamento exige revisão da arquitetura legal e regulatória. Advogados devem elaborar acordos que compartilhem riscos, harmonizem proteção do financiador com fluxo de caixa e interpretem normas bancárias internacionais, como requisitos de capital e procedimentos de Know Your Customer (KYC) e antilavagem de dinheiro (AML). Dessa forma, podem compensar deficiências bancárias locais que elevam custos e distorcem riscos.
Abrindo Caminhos para um Financiamento Sustentável e Inclusivo
Para reduzir a lacuna, é fundamental ampliar o acesso a financiamento por meio de bancos confirmadores, garantias de instituições de desenvolvimento financeiro e digitalização de processos. Além disso, adaptar o arcabouço jurídico-regulatório assegura que o crédito flua de forma sustentável e inclusiva. Por exemplo, modernizar leis para antecipação de faturas e simplificar procedimentos de KYC beneficia as PMEs. O setor privado deve criar contratos que mitiguem riscos sem onerar pequenas empresas, fomentando parcerias com bancos e DFIs.
Em resumo, a desaceleração global e a crescente necessidade de financiamento não apenas limitam o crescimento econômico, mas também oferecem oportunidade para modernizar o financiamento ao comércio. Assim, as PMEs podem se integrar melhor às cadeias globais e os mercados emergentes ganham autonomia e resiliência. Para saber mais sobre desafios legais e oportunidades para empresas, confira nosso artigo sobre gestão de riscos psicossociais e entenda como isso impacta a gestão empresarial.
Portanto, converse com seu contador para aproveitar essas oportunidades e impulsionar seu negócio. Também recomendamos a leitura sobre a jornada de trabalho 6×1, tema relevante para a gestão de equipes em expansão.